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terça-feira, 26 de maio de 2015

16 - MISSÂO: FUKUSHIMA

                                             
             

    Tarde nublada e sem Sol em Porto Alegre.
    Não choveu, mas a nebulosidade teima em pairar sobre a cidade, tornando o dia cinzento e pesado. A umidade verte nos paralelepípedos e no basalto das calçadas. Parece que alguém varreu a pavimentação das ruas com uma mangueira. O dia transcorre calmo, como a lentidão dos carros nos já cotidianos engarrafamentos, que se formam não se sabe porque. A poluição se mescla com a nebulosidade formando um manto escuro, que quem chega de viagem pelos céus imagina que vai pousar em Pequim ou na Ciudad del México, tal o nível de partículas boiando na atmosfera.
    Este quadro só não é mais tenebroso porque dois cidadãos sorvem capucinos no Martini, famoso bar e restaurante do Mercado Público. Alheios ao aspecto do panorama da cidade semelhante à um quadro de Vincent Willem van Gogh, eles mantém um discurso cortês, digno da altura das próprias responsabilidades. Um é oriental, provavelmente nipônico ou mesmo de outra origem lá por aquelas bandas. O outro, um senhor de tez marcada pelo tempo, grisalho, empertigado dentro de um terno finamente cortado, combinando com uma gravata listada, dirige especial atenção ao interlocutor  estrangeiro, baixinho e de cabelo preto cortado, como se apenas o topete devesse ser preservado. Também bem vestido em um terno de grife europeia ou coisa que valha, sorri para o ancião brasileiro e gaúcho, que corresponde com um firme aperto de mão antes de se despedirem. 
    O velho  dirige-se à saída desacompanhado do oriental, que obedecendo à um protocolo de segurança não escrito,se mantém sentado e aguarda que o velho suma entre os pedestres ocasionais que passeiam pelo Mercado Público, para só então por-se em movimento. 
    O que eles trataram tão amigavelmente? Não se sabe, mas após este encontro "coisas" estranhas começaram a acontecer nos arredores de um pavilhão discreto localizado em algum ponto do bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre. A agitação permaneceu por dias e noites, com entra e sai de nervoso caminhões sem identificação. Pessoal e veículos ocasionalmente passem defronte ao prédio é imediatamente filmado. As imagens coletadas são automaticamente analisadas por potentes computadores que procuram identificar possíveis ameaças ao que se passa dentro do misterioso prédio. 
    Após um determinado tempo, a calmaria volta a reinar no bairro. A agitação inicial cessa e dá lugar a uma estranha calmaria. Numa noite gelada, com nevoeiro encobrindo tudo e todos, uma jamanta rebocada por um possante motor Scânia se arrasta pelas ruas da cidade, escoltada por dois automóveis. Num deles, um Honda Civic preto, um homem se ergue debaixo de um chapéu de feltro muito bem cuidado. A testa enrugada e a força de sua expressão contrasta com a determinação de sua calma. Ele sabe o que faz e tem noção do poder que possui. Está em mais uma missão. Sabe que é suicídio, que pode por tudo a perder, mas em vez de matar ou destruir, tentará fazer o melhor uso possível da tecnologia que a organização que fundou ajudou a criar. Estará atendendo um pedido de ajuda de uma Nação no outro lado do mundo, o que pode expor a "organização" até agora mantida em total discrição e segredo, até mesmo por quem já se utilizou da forma mais pérfida, mas que ELE entende ser legítima. Não lhe interessa fama, dinheiro ou poder, que isto ele tem de sobra, poius governo algum seria capaz de desbaratar. Deve este nível de segurança ap grupo que em torno de si se formou: são fanáticos pela causa, deslumbrados pelos eventos que desencadeiam e que disto se alimentam, como soldados anônimos que travam uma guerra silenciosa contra forças que um cidadão comum consideraria insuperáveis.
     Agora a aventura em que estão embarcando vai levá-los ao Japão numa missão altamente perigosa: terão que "penetrar" numa câmara de concreto, um verdadeiro sepulcro radioativo. Da mesma maneira que já fizeram isso em ocasiões anteriores, tentaram o impossível para um ser humano, mas perfeitamente exequível para a "coisa", que vai embarcada num navio de carga rumo à Tóquio, disfarçada como peças de reposição para uma fábrica de juntas homocinéticas, dentro de containers, com documentação "acima de qualquer suspeita", emitida pela filial brasileira de uma industria nipônica autentica. Assim, nenhuma das aduanas desconfiará da "carga" sensível embarcada nos caixotes de aço. 
   A sorte estrá lançada quando a coisa for lançada num ambiente extremamente inóspito. Os engenheiros não sabem o que poderá acontecer. O velho franze o cenho ao imaginar o que pode ocorrer. Ele afasta os maus presságios com um bocejo. Deposita o chapéu de feltro na mesinha ao lado do beliche, o mais baico deles. Dentro do dormitório destinado à tripulação do navio, são oito beliches empoleirados e presos nas paredes como prateleiras gigantes. Ele fita o estrado da cama de cima e fecha os olhos. Tenta imaginar que tudo correrá bem.
  -"Vamos completar a MISSÃO com êcito e vamos voltar pra casa com o sabor de mais uma vitória no rosto. Vamos estourar champanhe quando chegarmos."
  O velho pensa por fim adormece, enqaunto parte da equipe ainda tenta se acostumar com o balanço do navio rumo ao desconhecido.

-O-O-O-

O que você(s) acha(m) que aconteceu com a "coisa" em  FUKUSHIMA?

Talvez este deve ser o final para mais esta história (será?):  MISSÃO FUKUSHIMA

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

15 - O Caso Nisman

                                             
             

Tarde nublada e abafada em Porto Alegre. Um homem enfiado dentro de um terno incompatível com a temperatura aguarda nervoso no saguão do Hotel Savoy fincado na Av. Borges de Medeiros. Já consultara pela quinta vez o relógio sem que isso aliviasse a tensão de cada segundo perdido. O olhar castanho procura se fixar no movimento da  avenida. Ele não quer perder nada de vista. O suor lhe empapa a camisa e o obriga a tirar o casaco antes que vire "suco" dentro daquela roupa formal. Confere o relógio mais uma vez.
-Merda. Está atrasado. Esbraveja para si mesmo, mas o tom ecoa pelo saguão e alfineta um casal que por ali circula, provocando uma troca de olhares nada amistosos.
-O que estão olhando? Pergunta ele dirigindo uma voz furiosa para os hospedes inadvertidos, que não retrucam e seguem o caminho que estavam fazendo.
Quando resolve sair dali e retornar para o hotel um silvo vindo da calçada o faz olhar de novo para a rua. Um senhor sexagenário, usando uma camisa polo branca de mangas curtas e bermuda de sarja, o fixa debaixo de um chapéu estilo Panamá, de uma cor que lembra um bege ou creme, num tom difícil de definir. Este senhor esta com um canudo de plástico, destes de lancheria para se beber refrigerante, esticada entre os dentes, como se fosse uma palheta ou algo parecido com um apito. Ele retira os óculos escuros  e revela o olhar azul intenso enquanto sorri para o engravatado, embasbacado co o que vê.
-Eu lhe conheço? Pergunta o que tem pinta de executivo para o idoso em pé na calçada.
-Fui chamado até aqui por alguém que precisa muito mesmo falar comigo. Por acaso será você?
O "executivo" mira o desconhecido de forma desconfiada:
-E o que esse "cara" teria para falar? Não te conheço! Diz o engravatado enquanto se aproxima lentamente do ancião que permanece em pé debaixo do sol escaldante.
-Só você pode me dizer do que se trata. Senão, porque estaria parado aqui todo este tempo e neste calor?
-Está me vigiando velho?
-Que tal conversarmos no bar o hotel? Resmunga o velho já impaciente.
-Como vou saber que você é o cara que estou esperando?
O velho espia o executivo empapado de suor da cabeça aos pés e analisa a situação. Pensa em ir embora.
-Se você é o cara que estou esperando então pode dizer se é isto! O engravatado saca do bolso um cartão com um holograma, onde se visualiza a imagem de uma serpente sobre um número de celular e o balança para o velho enquanto aguarda uma resposta ali mesmo na calçada.
O velho sorri e recita numero do telefone de trás para a frente.
O executivo para de balançar o cartão e relê o número e fica alternando do cartão para o sorriso enigmático do ancião, que observa impaciente.
-E então? Vamos ficar aqui "cozinhando" debaixo deste sol?
Após fecharem a porta do quarto, o executivo vai até uma gaveta em um armário de canto e dela saca uma pistola e aponta para o ancião, que não reage.
-Quem é você? O que sabe sobre mim? Fulmina o ancião com um olhar inquiridor!
-Não sei quem é você, mas posso ser a "solução" para o problema que tiver, isso eu lhe garanto.
-Não me faça de tolo. Todo mundo tem problemas. Quem foi que te mandou? O executivo balança a pistola no ar como um chicote diante do pacato ancião.
-Ninguém me manda ir. Eu venho somente porque me chamam, e se foi você que me chamou então porque me aponta uma arma?
O velho fita o adversário com uma frieza  que  deixa o executivo desconcertado e intrigado. Aos poucos desiste de iniciar um tiroteio ali mesmo no meio do quarto. Recolhe a pistola e se vira para o ancião, que permanece impassível como um totem.
-Na verdade não fui eu. Esperava outro tipo de "contato". Eu apenas recebi instruções para analisar a situação  e sondar o terreno em que estamos..digo...estou pisando.
O velho fisgou que o executivo esconde algo, mas se manteve na retaguarda.
-O que você ou mesmo outros interessados precisem, saiba que obterão o resultado procurado. A minha "organização" age limpo, não deixa pistas e não se interessa pelas consequências das ações que praticamos.
O ancião, já sem o chapéu e exibindo uma cabeleira prateada muito bem cuidada, fala manso e com firmeza, procurando transmitir segurança para o agitado ouvinte. O sujeito se agita e se desalinha, sem perder o velho de vista. Arrisca:
-Simples assim? Que organização é essa? Que "poder" é esse que eles possuem a ponto de não temerem nada? Como você pode saber no que estará se metendo sem saber com quem está negociando?
O velho levanta o cenho para o executivo:
-Maravilha! Então já estamos "negociando"! Rapaz, você e seus "amigos" precisam de mim e não se preocupe: dou minha palavra de que não se decepcionarão.
-Muito bem, digamos que eu contrate sua "organização". Quais são as condições do "contrato"?
-São bem simples: discrição, fidelidade, submissão.
-Discrição? fidelidade? submissão? Que papo é esse?
-São as "nossas" condições para que vocês atinjam os resultados esperados.
-Você não sabe de nada. Acha que pode nos impor condições? Diga o preço, um valor e veremos se entramos em um acordo.
-O "preço" é este. É aceitar o largar.
O velho fechou a boca numa expressão pouco amigável. O executivo o olha e resolve falar com alguém no celular, sem deixar de encarar o velho, que permanece imóvel com semblante fechado. O executivo fala em castelhano e gesticula muito e após alguns minutos, encerra a conversação. Encara o velho, e resignado, estende a mão em um sinal de "aceite", ao que o dono do chapéu panamá corresponde, também apertado a mão do executivo.
-Não irá se arrepender filho.
Após o cumprimento, o executivo revela finalmente para o ancião qual é o "serviço" que os novos "clientes" querem "contratar": "silenciar" um promotor de justiça que irá depor no congresso e contra o governo de um país fronteiriço ao Brasil.
Após o executivo escutar do ancião várias vezes que o "serviço" seria feito e com perfeição, ele assim mesmo não ficou seguro de que tudo aconteceria tal como planejado. Ligou nervosamente para o outro lado das fronteiras e escutou o improvável do interlocutor internacional:
-Faça tudo o que ELE mandar e aguarde por novas instruções.
-O-O-O-O-
Dois dias depois, num pavilhão sem identificação localizado em algum ponto do bairro Humaitá em Porto Alegre, um senhor sexagenário descansa o chapéu Panamá em um cabide onde repousa um outro chapéu, só que feito de feltro cinza.
Ele se volta para a "equipe" reunida em torno da mesa em que ele se acomodou.
-Rapazes - diz ele em voz calma e pausada - amanhã vamos viajar para fora do País. Espero retornar de lá com ótimos resultados. Carreguem o Scãnia com todo o equipamento e não esqueção de nada. Testem a "coisa" pois não poderemos fazer reparos. Nada, nada pode dar errado.
Um minuto de pausa silenciosa ocorre e parece à todos uma eternidade.
Trocas de olhares incrédulos são feitas entre os membros da equipe, mas ninguém protesta. Todos ali amam o que fazem e tem uma devoção religiosa, quase fanática, àquele velho que os lidera.
Eles todos sabem: logo..., logo, o mundo não será mais o mesmo.... de novo.

O-O-O-O

Fim de mais este episódio.

domingo, 5 de outubro de 2014

14 - A ELEIÇÃO ESTÁ SEGURA?

                                             
             

A eleição está segura?

Ele sorveu o último gole de capucino, e antes de descansar a xícara no pires decorado e suspirou fundo.
Esperou por um lampejo de criatividade naquele momento.
A cafeína sempre o auxiliou nos momentos mais delicados e que pediam uma ação rápida e direta.
A ideia luminar porém não veio e ficou somente o vazio da xícara ainda pairando no ar, sustentada com firmeza pelos dedos idosos do ancião que é e sentado numa mesinha da cafeteria do mezanino do Mercado Público de Porto Alegre. Preocupado com o lapso mental, pousou delicadamente a xícara no pires, sem fazer o ruído característico do tilintar das porcelanas.
"-O que eu fiz?", se perguntou num som que somente ele escutara. Já adivinha que junto com a possível
resposta obscura surgirá também um novo horizonte de amplas possibilidades, já que estará agindo direto no controle politico da nação. Remoeu o passado recente tentando lembrar que erro cometera, mas a investigação solitária não lhe apontava um deslize sequer da Organização que chefiava.
O último "serviço" foi concluído com êxito e de praxe, mas o sucesso da "empreitada" foi de um "sabor ácido" em quem mente e dissimula ante uma sociedade incauta e ingênua.
O velho, ainda com o odor do capucino impregnado nas narinas, tenta avaliar a dimensão das consequências da última "ação dos  Snakers", enquanto alisa as abas do chapéu de feltro.
Ele sempre o mantém por perto, mesmo durante um simples café vespertino, como se fosse um amuleto contra maus pensamentos.
Ele não consegue explicar o que o atordoa, mas sabe que terá de carregar o peso de uma culpa e talvez essa seja sua sentença até o final dos tempos. Não quer sentir auto-piedade pois sabe que desta vez foi longe demais, rompeu os limites da própria ética a que se impunha e invadiu inadvertidamente um terreno em que não poderia ter jamais adentrado.
Os desdobramentos deste último "ato" da Organização que comanda, poderão ser tantos que não sabe como dimensionar as consequências.
Desta vez teme que  a criatura devore o criador!
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O homem do chapéu de feltro se esforça para reativar as lembranças do vale profundo da memória.
Tudo se inicia, como sempre, quando algum insuspeito interessado nos serviços "especiais" dos "Snakers" se apresenta e sempre indicado por alguém que já tenha se beneficiado de um destes "préstimos" escusos.
O contato é revelado por um cartão singular, decorado com o holograma da serpente sobreposto ao número do celular não rastreável, do "chefe" daquela Organização: o próprio dono do velho chapéu de feltro, cuja identidade deve ser mantida em sigilo por motivos óbvios.
Todas as conversas sempre se dão em locais previamente monitorados por "infiltrados" da Organização, que são escolhidos "à dedo" pelo "chefe", e fazem uma varredura prévia do local do encontro para prevenir surpresas e "imprevistos". Segundo critérios que vão do nível técnico do candidato à "gangster" amador ao grau de fanatismo  pelos "valores" que a Organização "vende", como  discrição, rapidez, eficiência e...poder, estes "agentes" vão se incorporando aos Snakers.
E o que esta máfia "à brasileira" cobra em troca destes "favores"? Dinheiro? Propinas? Chantagens?Conchavos? Nada disso!
Apenas uma única moeda de troca é aceita: DEVOÇÃO  à causa dos Snakers.
Diferentemente das máfias mundo afora, o que lhes move não é dinheiro ou poder político, mas provar do que são capazes e comprometer aqueles que os contratam com submissão total à "organização" através de um pacto secreto de "fidelidade" e extrema "confidencialidade".
Tudo o que o "contratante" dos "serviços" prestados sempre deverá à Organização é se apresentar quando e se for  convocado a "contribuir" para a Organização com apoio logístico, material ou mesmo estratégico em outras "ações".
E para os que nela ingressarem numa viagem sem volta, haverá além da cobrança de participação compulsória em operações da organização, a garantia que NADA, NINGUÉM e NENHUM OUTRO PODER será maior que o da Organização e que o destino das vítimas estará sempre selado quando os Snakers marcá-las como o próximo alvo. Isto massageará o alter-ego dos cúmplices da gangue.
E desta vez o objetivo não é uma vítima em potencial, mas um "valor" sensível de um outro "poder" concorrente.
É um valor meramente institucional e legalmente instalado no País: O VOTO!
E o contato foi feito por forças que querem manipular os resultados das eleições em curso.
Os Snakers foram chamados para atingir este objetivo.
Desafiados à provarem o que realmente são, a resposta veio rápida: os Snakers  não se intimidariam diante de um desafio, pois sempre agem com paixão e uma simples "provocação" à honra daquilo que defendem (provar que são soberanos em si mesmos!) já lhes dá combustível suficiente a entrar em luta surreal contra os possíveis detratores do PODER que alegam possuir.
O desafio proposto era de monta, mas não impossível de ser realizado, como provariam mais tarde ser exequível: entrar numa sala-cofre de um prédio extremamente protegido do governo em Brasília, onde estão instalados os servidores que irão realizar a apuração dos votos da eleição que irá escolher os próximos governantes do País. O objetivo é penetrar nestes servidores (considerados altamente protegidos de ataques cibernéticos por várias camadas de barreiras de segurança) e implantar um vírus de computador especialmente projetado para embaralhar os dados que serão recebidos pelas portas de comunicação dos modens de dedicação exclusiva.
Estes modens estão montados em uma rede fechada e regulam todo o tráfego de dados da apuração que são enviados de todos os cantos do País para uma central de apuração que  localizada numa área de segurança nacional num setor da capital federal, em um perímetro de acesso restrito e vigiado pelo exército e pela polícia secreta.
E qual o preço desta "empreitada" imposto pelo "homem do chapéu de feltro" aos "contratantes"?
Apenas uma exigência: obediência servil dos meliantes contratantes à  "organização" dos Snakers.
Como estes contratantes não sabem quem são os "contratados", nem onde estão, nem como agem, mas conhecem a extensão do grau  de periculosidade dos Snakers,  passivamente "aceitam" e firmam em um pacto puramente verbal, concordando com o grilhão que vai condená-los à submissão total.
Passados alguns dias do primeiro e discreto encontro, os "Snakers" organizam tudo para dar início a "missão".
Este planejamento prévio é necessário, pois dele depende o total sucesso das ações que se seguirão.
Os "Snakers" usam de muita espionagem e contam com a ajuda de outros "membros", que pelo passado obscuro, devem "favores" à organização.
Observando   o prédio, roubando projetos arquitetônicos e hidráulicos do mesmo, infiltrando um agente disfarçado de faxineiro no local (que fotografou e levantou dados do local!) e como sempre: de forma organizada e em equipe, definem a melhor estratégia de ataque.
Posicionaram o mesmo caminhão Scânia que carrega a nova versão tecnológica da "coisa" em um ponto próximo ao prédio "alvo" eminente.
A "coisa" (um robô de alta tecnologia assemelhada aos répteis) com capacidade de se deslocar pelas tubulações de esgotos, controlada e monitorada à distância por um sofisticado sistema de comunicação digital, é capaz de fazer valer o poder dos Snakers e deixar atônitas as defesas inimigas.
Esta "coisa" passeia pelos ambientes como uma cobra, atingindo qualquer ponto da construção usando as tubulações do prédio como uma estrada livre.
Eles farão a "coisa" penetrar nos âmagos do prédio onde está a central informatizada de apuração da eleições usando as redes de esgotos sanitários e delas acessar um dos dutos que a conduzirá até uma das torres de resfriamento do ar condicionado instalado no terraço do edifício. De lá  irá descer até a sala-cofre pelo conduto do ar até a área protegida, que está localizada num dos pavimentos do prédio invadido, e pelo caminho irá burlando e desativando todos os esquemas de vigilância instalados.
Utilizando um braço mecânico embutido, a "coisa" consegue manipular objetos à distância, e todos os movimentos são transmitidos em tempo real, mostrando tudo o que é executado no local do ataque para uma central de controle, de onde partem os comandos que dão vida e inteligência à "coisa".
De dentro de um compartimento da "coisa" um conjunto de pinças salta e atua como se fossem os dedos de uma mão biônica. Estes dedos manipulam portinholas aparafusadas, conexões USB, apertam botões, digitam em teclados, retiram e inserem componentes eletrônicos como se fossem "pens-drives" dos servidores, que reagem às intervenções alheias.
Tudo feito com uma precisão e sincronia como se um cirurgião manipulasse a "coisa" com as próprias mãos.
O resultado não poderia ser outro e foi exultante!
O homem do chapéu de feltro cumpriu o que prometeu e o vírus foi instalado, mesmo que os engenheiros de software do governo afirmassem categoricamente que o sistema é totalmente seguro e á prova de hackers.
O sucesso da ação foi garantida também pela rapidez e pela ausência de pistas, já que esta versão da "coisa" apaga todos os possíveis rastros deixados pela engenhoca, e se retira sorrateira e silenciosamente da sala mais "segura" da República.
O resultado positivo da ação porém deixou o chefe dos Snakers apreensivo.
Esta ação dos Snakers elevou desproporcionalmente a autoestima da equipe, inflando um ânimo sombrio nos membros, que a cada dia parecem mais fanáticos naquilo que fazem.
A manipulação do resultado eleitoral concedeu um poder desproporcional ao grupo e a notícia se espalhou para além-mar, o que pode se tornar um "fardo" para os Snakers.
O homem do chapéu de feltro já pensa em como neutralizar este poder.
Ele não que perder o controle sobre a "criatura".
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O homem do chapéu de feltro sabe e se questiona: se a "coisa" ficar sem controle? O que deverá fazer? A cafeína cappuccino ainda não deu a Resposta.
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Fim de mais este episódio.



sábado, 20 de setembro de 2014

13 - O PREDADOR

                                             
           

O Predador

As sombras se mesclam aos poucos com os minguados clarões de luz.
A noite se insinua sobre Porto Alegre e desperta as criaturas da noite,que em bandos, tomam as ruas e becos, vagueando na procura do que fazer.
Punks, darks, skinheads, metaleiros, emos, boêmios, pagodeiros, piranhas, meliantes, seguranças e toda a sorte de tribos convergem sempre para os mesmos lugares, naquela procura das mesmas coisas que justifiquem a desgraçada existência de todos eles. Algumas vezes eles se cruzam.
Ocasionalmente se misturam e até se acasalam.
Raramente ficam para sempre.
Esses grupos vão tomando conta da noite e tentam tomar o espaço todo certinho, construído pelos que cultuam a luz do Sol e que já se recolheram ao conforto e segurança das casas elegantes e gradeadas, como senhores feudais em seus próprios castelos.
Um grupo diferente destes, no entanto, move-se sem alarde pelas ruas mal iluminadas do bairro Humaitá, na zona norte da cidade.
Eles manobram uma jamanta de 35 toneladas, tipo baú, sem identificação ou letreiros, rebocada por um cavalo-mecânico Scânia de 800 cavalos de potência para fora de um discreto pavilhão, que por razões de segurança, não pode ter a localização aqui revelada.
Os tripulantes não falam entre si.
Somente um deles, dentro do imenso baú, com fones e microfones na cabeça e sentado diante de um conjunto de monitores de computador piscantes, fala com alguém conectado no outro lado da linha.
O motor possante ronca e as vibrações se fazem sentir por toda a carroceria, mas os ocupantes não se importam e parecem acostumados com o ruído.
Cada um está ocupado com alguma tarefa e quem os visse, diria que estão muito focados naquilo que estão fazendo.
A cena lembra um daqueles filmes de guerra, em que os soldados dentro de uma cabine mexem em botões e comandos, tentando um ataque certeiro ao inimigo incauto. O interior do baú está imerso numa semi-penumbra, que parece ter penetrado da noite lá fora pelas janelinhas laterais do baú, tipo escotilha de submarino, envolvendo e transformando os enclausurados em figuras mais sinistras ainda.
Após o caminhão rodar por um tempo não maior que duas horas, ele para e o motor diminui a rotação.
Agora o interior do baú começa a se agitar.
Um operador, sentado numa poltrona com manches (que  lembram os controles de um vídeo-game) e usando um capacete especial que envolve toda a cabeça (conectado aos sistemas de computação por um feixe de cabos que saem da nuca) é o mais "nervoso" e dispara ordens e comandos aos asseclas em volta, mas eles não desviam a atenção do que estão fazendo, apenas escutam e automaticamente executam o que é ordenado, de forma quase mecânica, em total disciplina e organização.
De dentro do baú eles estão controlando a "coisa", um produto da inteligência humana, que tanto pode estar a serviço do bem como do mal. Nesta noite, a "coisa" estará do lado "negro da força". 
Fazer o quê? A vida é assim: ums podem ganhar, mas outros terão que perder.
E nesta noite, alguém perderá....a vida!
Sim, a "coisa" irá ceifar a vida de mais uma pobre vítima!
Bem que ela poderia salvar alguma alma, mas hoje a "missão" fará o oposto disso: mandará uma para o inferno! 
Foi para isso que toda a equipe se preparou e estudou meticulosamente um plano para levar ao sucesso esta empreitada.
Sim, os "Snakers" são mercenários. 
Só trabalham para quem paga mais.
Eles são invisíveis, precisos e perigosos para as vítimas-alvo e nada os deterá. 
Fazem um serviço limpo, que deixa as autoridades atônitas e os senhores do poder arrepiados. Ninguém está à salvo do alcance das garras desta organização.
A "coisa" é um robô, misto de  assassino e herói, que se desloca pelas tubulações de esgotos das cidades, chegando aonde quer que precise, penetrando fundo onde ninguém chega.
É comandado à distância e invade qualquer ambiente, rastreia e localiza o alvo e executa o serviço para o qual foi programado, retirando-se em silêncio sem deixar pistas ou vestígios de que passou por ali.
Para a vítima de hoje, só resta uma saída: ela não pode estar ali no momento em que a "coisa" chegar.
E isso não tem importância, pois a "coisa" tem paciência e tal como um predador no topo da pirâmide, aguarda na próxima tocaia a chance de dar o bote final na caça.

-O-O-O-

Fim de mais um episódio de SNAKERS

domingo, 23 de dezembro de 2012

12 - A INVESTIGAÇÃO


A madrugada primaveril de uma abafada de Porto Algre anuncia mais um tórrido verão gaúcho e
enche os bares e calçadas da boêmia Cidade Baixa. Também ajuda na insônia de um
quase aposentado funcionário público, o perito policial Adelar.
Os últimas notícias da imprensa local desencadearam uma avalanche de perguntas e geraram
um turbilhão de respostas no cérebro do servidor do Instituto Geral de Perícias.
Adelar tenta buscar na luminosidade ruidosa da rua José do Patrocínio, com as centenas
de personagens notívagas que para lá convergem atrás de êxtase etílico e sexo barato,
uma distração para o turbilhão em que mergulhou a mente que deveria estar em repouso nesta noite.
O dia tinha sido cansativo e Adelar sentia-se esgotado, mas algo o mantinha em pé até
altas horas.
Ele relembrava mentalmente do corpo extendido do juiz Benetton, encontrado morto dentro de um
banheiro da sala 804 do fórum Central. Aparentemente atingido por um fulminate ataque cardíaco.
É estranho, pois os ultimos exames de rotina feitos pelo juiz não apontavam esta possibilidade.
Também relembrou o caso do inquérito 611724208. Na época, ao examinar as imagens
de uma camera instalada dentro do cofre onde o processo estava protegido,
Observou que uma sombra muito estreita, como a de uma corda, movia-se fora do campo da tela.
Tinha se intrigado com esse pequeno detalhe, mas deu de ombros para o fato.
Tempos depois, outro caso: o prisioneiro 1665-B, detido numa prisãoi de segurançla máxima.
Era um assaltante de bancos evadido, que se envolveu num tiroteio com muitos mortos e feridos.
Foi encontrado estirado no chão da cela, com os braços abertos e olhos esbugalhados, ao lado
de uma carreirinha de cocaína altamente pura.
Como a droga entrou lá?
Um filete de sangue seco no pescoço, denunciou um corte certeiro, talvez de uma lâmina afiadissima,
que decepara a traquéia e a carótida.
Como e quem cometera o assassinato dentro de uma área tão protegida?
As imagens das cameras de segurança não captaram nada. As celas continaram trancadas e
so foram inspecionadas quando o preso naõ respondeu a chamada.
Quando chegou na cela para cobrir a cena do crime, viu que tinham "lavado" o
vaso sanitário, que segundo os carcereiros, estava todo "borrado" de fezes, mas
o cadaver estava limpo e a autópsia não revelou que o assaltante não tinah feito uso
do tal vaso antes de morrer.
O perito Adelar saca de um cigarro, quebrando o jejum que prometera a si mesmo de abandonar o vicio.
Ele traga e dá umas baforadas aspergindo uma nuvem no ar, incrivelmente parado sobre Porto Alegre.
O que ele vê na fumaça são mais vultos de mais fantasmas que agora querem lhe afugentar a paz.
Ele vê um paciente termina, um homem no leito de morte, que parecia dormir um sono eterno, com um leve sorriso nos lábios,
após alguém ou alguma "coisa" ter cortado fios e tubos que conectavam o enfermo aos aparelhos mantenedores das
funções vitais. E o hospital e secretária da saude até hoje estão "investigando" o que aconteceu.
Ainda tem o caso do sequestrador que foi capturado "morto" depois de ter sido "imobilizado" por uma "serpente" metálica,
como descreveram as duas única reféns e vítimas do meliante. Porém, estranhamente, tanto o delegado
que atuou na ação quanto o tenente que invadiu a loja após um tiroteio que alegaram vinha de "dentro para fora" do prédio,
não realtaram nada de "anormal" nesta ocorrência.
Só que as fotos tirada poela perícia do local do crime indicavam a presença de que alguma "coisa rastejante"
teria se movimentado pelo chão do local.
E o que dizer de um achado incrível: um "pendrive" instalado em um roteador dentro do cofre do mais moderno e
seguro datacenter do sul do País? Até agora ninguém soube dizer para que serve e quem o instalou!
O fato assustou o Secretário Municipal Adjunto para Assuntos "Estratégicos", que ordenou a abertura de
Inquérito Administrativo e encaminhou o caso para o Ministério Público, que remeteu  para o titular
da Vigésima Delegacia especializada em crimes cibernéticos. Passados quarenta dias, a
investigação resultou vazia de respostas. O delegado chegou a indiciar um analista de sistemas
responsável pela segurança do DataCenter, mas desistiu de levar as acusações contra o funcionário
adiante.
Adelar tentava mentalmente ligar todos os casos, etabelecendo um elo de ligação entre eles.
O que lhe chamava a atenção era os indícios sempre apontavam para alguma "coisa" misteriosa
sempre presente nas cenas dos crimes: um rastro deixado por alguma coisa
"rastejante", mas que, curiosamente, sumia no meio do caminho, com se tivesse sido
propositadamente "apagado".
-Apagado? Por quem?
No cenário da cela, ele fotografou as mesmas marcas se afastando do ponto onde o preso
tombou em direção ao fundo da cela, mas somem subitamente.
No caso do juiz Beneton, idem.
Já no hospital, os mesmos sinais de que alguma "coisa" teria visitado a U.T.I. antes
de consumar o assassinato.
A viúva parecia, estranhamente, tranquila e com um olharpacífico e tranquilo ante à perda súbita
do marido.
E o que pensar do sequestrador? As vítimas juraram ter visto uma "enorme serpente" atacando o
meliante. Na loja também havia sinais de que algo se arrastara até ali, mas os mesmo também "sumiam"
no meio do caminho, que indicava o fundo da cela, onde só tinha um vaso sanitário instalado.
Súbitamente Adelar é pércorrido por um choque que lhe percorre a coluna de ciam a baixo.
-É isso! Só pode ser isso!
Ele pega o celular e disca nervosdamente para um colega do Instituto Geral de Pericias.
-Alô?
-Sou eu cara, o Adelar!
-Há...O que você quer?
-Eu acho que desvendei o mistério da morte daquele assaltante de bancos.
-Jura? E como é que se deu?
-Ouve bem: o que acabou com o cara, deve ter saído de dentro do vaso sanitário, se arrastando e...
-Tá...tá...e essa "coisa" seria o quê? Um crocodilo?
Interrompido, Adelar foi pego de surpresa pela ironia do colega.
-Que é que isso meu brother? Tá me gozando?
-Não me leva mal caraq, mas essa tua teoria cai bem em roteiro de cinema, mas quero ver quem
é que vai te apoiar nessa.
-Ainda não sei o que é que saiu de dentro do vaso e...
-Não se preocupe Adelar. Chame um biólogo. Vai ver foi um "alligator" transgênico, sedento por
fazer justiça e...
O colega do IGP não terminou de falar e a ligação foi interrompida.
Adelar desligou furioso. Não aguentou a zombaria.
Decidiu que iria investir na prórpia tese e provar ao mundo que há algo mais
misterioso sob os pés dos Porto Alegrenses  do que sobre a superfície.
E fica fitando a imagem de uma sombra em uma das fotos sobre a mesa, que revela uma
sombra comprida, se esgueirando pelo canto direito da cena.
Passa o dedo indicador pelo borrão e bate nele três vezes.
-Você é meu e vou pegá-lo.
Fala em voz baixa enquanto cofia a barba rala.
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FIM DESTE EPISÓDIO
 

sábado, 15 de dezembro de 2012

11 - A COISA - "A EVOLUÇÃO"


A madrugada no porto de Porto Alegre é pertubada por figuras furtivas, que se agitam dentro do armazém D1.
Os homens que por ali se batem estão descarregando o conteudo de um enorme caixão de metal, um container, enviado em um navio
direto de Cingapura. A loga viagem terminou em terras gauchas, mas por precaução e para não chamar a atenção,
a carga do container só foi descarregada após o anoitecer.
Os homens obdecem as orientaçãoes de um senhor, que insiste em usar umn chapéu antiquado feito de feltro.
Acompanhando tudo, o olhar observador de um jovem e idealista engenheiro fica extasiado quando um dos volumes
envelopados em uma das caixas de madeira descarregada do container, reluz na luz tênue das luminárias do armazém.
É um objeto cilindrico e metálico, envolto em palha de vime e bolinhas de isopor.
O cavalheiro de chapéu, que também observa o objeto, comenta que é a evolução da técnica.
O objeto chama a atenção. Parece um imenso anelídeo, desses que normalmente se encontra ao escavar
a terra úmida dos jardins. O aço polido reflete imagens distorcidas do ambiente, mas tanto
o engenheiro e o cavalheiro de chapéu conseguem se dinstiguir entre as distorçoes refletidas, mas o
olhar deles é de deslumbramento diante do novo modelo da "coisa".
-Rapaz-susurra o velho-este "projeto" inovou. Agoa teremos mais "autonomia" em nossas "ações".
-Quais os avanços esse novo modelo apresenta? O rapaz está ansioso por uma resposta.
-Eu compreendo tua ansiedade. A fala do velho é calma e tranquila.
E continua:
-Este sistema é totalmente novo. Não vamos mais necessitar de um motor diesel para
movimentar o "extenser" por todo o trajeto. Esta unidade é totalmente automata. E ela
se "arrastará" até o destino, não importando as dificuldades do trajeto.
O velho fala enquanto estica o olhar para o engenheiro, para medir as reaçoes
dele diante de cada palavra.
-A "unidade"-prossegue o velho-tem três hastes que se projetarão para fora
do corpo principal, fixando-a nas paredes internas da tubulação. Em seguida
estenderá para frente um prolongamento do corpo principal. Dele sairão
outras três pinças, que também se fixarão nas paredes do duto invadido.
O jovem engenheiro ajeitaqva o óculos o tempo todo, como se quisesse ajustar
o foco para ver melhor.
-Então,-prossegue a voz pausada e rouca do velho-as primeiras hastes são
recolhidas e a extensão do corpo é recolhida, e este movimento de retração
puxa o restante do corpo da "coisa" cada vez mais adiante, e assim ela
vai percorrendo todo o itinerário programado.
-E a fonte de energia para isso tudo?-quiz saber o engenheiro.
-Já esperava esta pergunta. Ela provém do metano pré-existente dentro das
tubulações. Este modelo da "coisa" foi projetado com uma
célula compacta de reciclagem de metano em energia para os
sistemas embarcados nela. E no ambiente em que ela transitará há combustivel
de sobra.
-E como vai fazer para recuperá-la?
-Ora meu ingênuo jovem.A "coisa" fará os movimentos inversos para retornar
para a base. E através do GPS, poderemos monitorar cada metro percorrido.
-E como o senhor resolveu a questão da comunicação? Não ficará prejudicada?
-Pensamos nisso também. Para isso abusamos da tecnologia de celular. E para aumentar
a eficiência, a "coisa" terá suporte de um longo cabo óptico. Teremos
velocidade de transferencia de daos muito superior à melhor banda larga digital
existente no mercado.
-Porque tudo isso? Não ficou caro demais?
-Jovem, no nosso "meio" os resultados devem imediatos e precisos. Não pode
haver falhas. Muitos dos "membros" da nossa "organização" são devotos à ela.
Eles todos tem uma divida de "gratidão" com o grupo. Isso é que dilui os
possíveis custos.
-Senhor...-o engenheiro não chega a terminar o que estava iniciando a dizer
e é interrompido pelo ancião:
-Você terá a honrra de fazer o batismo desta "coisinha" espetacular. Será
a nossa próxima "ação" e com a nova tecnologia. E quer saber qual é?
Falou e esticou um olhar penetrante para o jovem.
O engenheiro faz um meneio com a cabeça confirmando a curiosidade.
-Vamos pregar um "susto" no governador e dentro do palácio do governo.
O olhar do jovem se espanta ante o sorriso inigmático do homem de chapéu de feltro,
que já não sabia se de entusiasmo ou sadismo.

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Fim deste episódio.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

10 - O DATACENTER


               
                                             

O projeto da Prefeitura estava concluído: um prédio novinho em folha, para abrigar
um moderníssimo centro de armazenamento de dados digitais, o "datacenter".
Dezenas de grandes computadores, com alta capacidade de memória e processamento
tinham custado uma pequena fortuna.
O alto investimento se justificava: o governo queria garantir que somente um punhado de privilegiados tivesse acesso restrito aos servidores, para onde todos os dados dos cidadãos e da cidade deveriam migrar.
Um sofisticado sistema de proteções eletrônicas foi incorporado ao projeto, para evitar acessos indevidos ou não autorizados. O prefeito garantiu pela imprensa que nada, nem ninguém conseguiria romper as barreiras criadas para proteger as informações armazenadas no "datacenter".
Um controle biométrico de reconhecimento de digitais e escaneamento de retina foi desenvolvido para identificar aqueles contemplados com acesso à sala dos comutadores mais potentes da cidade.
Tudo isso não foi o suficiente para barrar os Snakers.
O caminhão Scania, carregando nas entranhas da carroceria um artefato idealizado por engenheiros obcecados por desafios, manobra tranquilamente pelas ruas que compõe o quarteirão onde está instalado o datacenter.
Câmeras de rua acompanham a movimentação do veiculo na Central de Monitoramento do comando de vigilância do município, mas sem despertar suspeita de quem observa as manobras do caminhão.
O motorista posiciona o caminhão em cima de uma tampa metálica circular, destas que são normalmente encontradas no piso das ruas e que escondem redes quilométricas de galerias enterradas sob o solo das cidades.
Um alçapão no assoalho do baú do caminhão é aberto e através dele vultos abrem a tampa metálica chumbada no asfalto.
-Está aberto. Vamos iniciar a entrada. Falou um dos vultos que habitam o baú.
Imediatamente o motor do Scânia ronca mais possante e um longo tubo de material sintético, parecido com P.E.A.D.. desce para dentro do poço.
Dentro deste tubo vai embarcada a "coisa", que  segue por dentro das tubulações  de esgoto enterradas, penetrando cada vez mais em direção ao "alvo": a inexpugnável sala-cofre do novíssimo "datacenter".
Alguns minutos depois, e à dezenas de metros de distância do caminhão, a "cabeça" da "coisa" atinge um
poço de formato cônico, onde encontra duas aberturas, por onde escorrem filetes de dejetos. Fica indecisa por alguns segundos, mas num movimento rápido escolhe a abertura da esquerda e nela se enfia.
Percorre todo um trajeto por dentro de canos, passando por diversas  caixas de passagem, onde encontra outras aberturas, mas toma decisões precisas que terminam conduzindo-a até o telhado do prédio do "datacenter".
Lá em cima, procura pela torre de resfriamento do ar condicionado.
Assim que a identifica, nela se esgueira.
Impulsionada pela força mecânica do poderoso motor do caminhão, a "coisa" agora desce por um duto de ar condicionado até atingir a câmara de filtragem: um prisma em formato de paralelepípedo recheado de mantas de um material poroso, parecido com lã ou feltro.
Nesta câmara faz um furo na parede da mesma e penetra nesta nova passagem, "caindo" no interior da sala de maquinas, já dentro do prédio. A "coisa" prossegue na busca obstinada pelos servidores de internet, por onde circulam os dados mais sigilosos de várias secretárias de governo.
Se contorce para lá e para cá, tal qual um réptil, sempre em busca da "presa".
Alcança um ponto de uma ala da sala todo  preenchido por um emaranhado de tubos que lembram um ninho de minhocas gigantes se enroscando umas nas outras.
Balança a "cabeça" para cima e para baixo, enquanto uma luz violácea que se projeta de um "olho" vasculha o ambiente. Fica parada por uns dois minutos, como se estivesse indecisa. De repente, se agita e se estica até uma plataforma de onde parte o emaranhado de tubos. É o "shaft" que procurava: coluna do edificio por onde passam tuboe e fiações que conectam todos os pavimentos do edifício.
Penetra neste "canal" e viaja por ele, subindo mais ainda.
Uma vez lá em cima, localiza uma outra abertura, não maior que duas polegadas, pintada de verde e fechada por uma tela fina de arame.
Usando de uma luz muito intensa e vermelha, a "coisa" derrete a tela para abrir caminho e penetra na  pequena abertura.
Segundos depois, a "coisa" está dentro da inexpugnável sala.
Sempre se arrastando e contorcendo-se pelo chão, a "coisa" estaciona diante do painel de roteadores: uma caixa envidraçada, com uma dezena de prateleiras pequenas, de onde partem feixes de cabos coloridos, todos numerados, cada um ligado a uma luz tênue e piscante.
A "coisa" abre a portinhola da caixa utilizando pinças que se projetam da parte anterior da "cabeça".
De um compartimento localizado no dorso do corpo cilíndrico, retira uma espécie de "pen-drive", que encaixa habilidosamente numa porta USB, como um soquete, localizado no painel traseiro de uma das prateleiras.
-"Está feito"-Foi o grito de exaltação do operador dentro do baú do caminhão Scânia.
Depois de tudo isso feito, a "coisa" fecha a portinhola da caixa envidraçada com toda a delicadeza e começa a recuar, se retirando pelo mesmo caminho que usou para entrar, sempre borrifando um liquido azulado, apagando os indícios que denunciassem a invasão.
Hora e meia depois, o caminhão põe-se em movimento, abandonando o local.
Na sala de monitoramento da vigilância, um supervisor nota o movimento e num instinto, resolve salvar a imagem captada pela câmera de segurança da rua.
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, no distante bairro Humaitá, um homem envergando um chapéu de feltro brinda com a equipe: eles acabam de mostrar para um agente do S.N.I., da extinta agencia de informações secretas do governo federal, o que os Snakers são capazes de fazer.

Fim deste episodio.